Alimentação nos cuidados paliativos: quando o conforto orienta a conduta
Nos cuidados paliativos, a alimentação é conduzida conforme aceitação, tolerância e sintomas do paciente, com o objetivo de promover conforto e qualidade de vida, e não apenas de garantir a ingestão adequada de nutrientes. Intervenções nutricionais invasivas desnecessárias são evitadas.

Cuidado Paliativo é a abordagem que promove qualidade de vida dos pacientes e familiares que enfrentam doenças ameaçadoras da vida por meio da prevenção e alívio do sofrimento, através da identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual.
Como definir as necessidades nutricionais
As necessidades nutricionais — calóricas, proteicas e hídricas — devem ser estabelecidas conforme:
- a aceitação do paciente;
- a tolerância à oferta;
- os sintomas apresentados.
O objetivo é a promoção do conforto, proporcionando melhor qualidade de vida, e não apenas a garantia da ingestão adequada de nutrientes. Por isso, evita-se intervenções nutricionais invasivas desnecessárias, como a terapia nutricional enteral, através de sonda nasoenteral, gastrostomia ou terapia nutricional parenteral.
Alimentação nos cuidados paliativos na terminalidade
Na terminalidade, os pacientes podem não tolerar a alimentação, por essa causar algum tipo de desconforto. A oferta alimentar, portanto, deve ser discutida pela equipe multidisciplinar, podendo chegar à conclusão de suspender o uso da nutrição enteral.
As terapias nutricionais podem ser agressivas, estressantes e onerosas, podendo não ofertar o resultado pretendido. Torna-se imprescindível conhecer o perfil individual do paciente e as possibilidades de desmame da dieta quando não houver mais benefício clínico.
O que é conforto no contexto do cuidado?
As diversas dimensões que completam a definição de conforto se remetem à ideia de ajuda e suporte, e também ao estado subjetivo percebido por quem encontra:
- alívio;
- encorajamento;
- resolução de problemas ou dificuldades;
- redução da ansiedade;
- satisfação física e mental.
Assim, medidas de conforto podem ser utilizadas como forma de prevenir, aliviar ou reverter algum desconforto. Todos esses fatores apontam para uma experiência individual envolvendo diversos domínios que podem ser o foco do cuidado em cuidados paliativos.
Alimentação nos cuidados paliativos em Recife e Salvador
Nas unidades da Florence em Recife (PE) e Salvador (BA), a conduta nutricional em cuidados paliativos é definida em discussão multidisciplinar, com reavaliação periódica da via de alimentação e do benefício clínico de cada intervenção. Conheça o trabalho desenvolvido pela Florence.
Referências
1. Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Consenso Nacional de Nutrição Oncológica. Rio de Janeiro: INCA; 2009
2. World Health Organization. National cancer control programmes: policies and managerial guidelines. 2nd ed. Genebra; 2002
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5. Miranda LK, Perussi Carizani Rossi G. Associação entre o perfil nutricional, via de alimentação e sintomas gastrointestinais de pacientes
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