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Impactos emocionais e psicológicos que podem afetar o paciente com perda de autonomia

Andar, tomar banho sozinho, escovar os dentes, dirigir o carro até o trabalho, segurar o filho nos braços. Diariamente, essas e outras tarefas agregam e dão sentido à vida das pessoas. Muitas vezes, parte dessas dinâmicas são tão automáticas que sequer percebemos o valor e a sua importância àqueles que as realizam. Essas e muitas outras atividades fazem parte do que comumente chamamos de autonomia.

Autores da psicologia defendem que, além da capacidade funcional de realizar atividades cotidianas, autonomia caracteriza-se também como um elemento central da identidade, da percepção de controle sobre a própria vida e da manutenção do sentimento de dignidade.

Como isso afeta pacientes em reabilitação?

Em um cenário de adoecimento, seja ele agudo ou crônico, a perda de autonomia pode gerar impactos subjetivos profundos, com repercussões emocionais, cognitivas e relacionais. Sabe-se que, quando o sujeito passa a depender de terceiros para funções antes exercidas de maneira independente, podem emergir sentimentos de impotência, medo, vergonha, tristeza e insegurança. O adoecimento crônico, as internações prolongadas, as sequelas neurológicas, os processos degenerativos e as limitações físicas frequentemente colocam o sujeito diante de rupturas importantes em sua rotina e em sua autoimagem.

Quais os sinais que devemos estar atentos?

A perda de autonomia costuma impactar muito mais do que apenas a rotina do paciente. Em muitos casos, ela mexe diretamente com a forma como a pessoa se percebe no mundo e consigo mesma. Segundo a psicologia, esse processo também pode ser entendido como uma experiência de luto. Esse tipo de luto não está ligado à morte, mas às perdas simbólicas, como:

  • Dor da perda de capacidades,
  • Planos interrompidos,
  • Mudança dos papéis sociais,
  • Alterações na dinâmica familiar,
  • Rupturas de expectativas para o futuro.

Muitas vezes, estas repercussões e respostas são esperadas em situações que acarretam a perda de autonomia. A literatura nos mostra que as vivências são sempre singulares e subjetivas. Levando em cosnideração aspectos da história de vida, da estrutura psíquica, da rede de apoio e das condições clínicas de cada sujeito.

Em um contexto de hospitalização, onde o paciente apresenta impactos oriundos da perda de autonomia, a psicologia tem um papel de suma importância no cuidado e tratamento dos aspectos subjetivos. Além de possibilitar a identificação de estratégias de enfrentamento funcionais, a atuação do psicólogo envolve o acolhimento frente aos impactos emocionais decorrentes do adoecimento, a promoção de espaços de escuta ativa e qualificada, tendo como objetivo favorecer a ressignificação da sua experiência de estar adoecido, buscando cada vez mais a inserção do paciente em seu processo de cuidados, favorecendo a retomada da autonomia através da sua participação nas tomadas de decisões.

Mais do que restaurar funções, o cuidado psicológico busca reconhecer o sujeito para além da doença. Compreendendo seus medos, desejos, histórias e modos singulares de existir.

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