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Mobilização precoce na UTI: benefícios para a recuperação do paciente

Florence
Hospital de Transição
Pós UTI
Reabilitação
Reabilitação Intensiva
Reabilitação Pós-UTI
Recife
Salvador

A mobilização precoce na UTI é o início de exercícios e mudanças graduais de posição assim que o paciente apresenta condições clínicas seguras. É segura quando bem indicada e reduz o tempo em ventilação mecânica, o delirium e as complicações do imobilismo prolongado.

A reabilitação iniciada com a mobilização precoce na UTI tem continuidade após a alta, com foco em recuperar funcionalidade e independência. Imagem: Divulgação Florence.

Quando pensamos em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é natural imaginar um ambiente voltado exclusivamente para manter o paciente vivo. Mas você sabia que a recuperação também pode começar ainda durante a internação?

A mobilização precoce na UTI é uma estratégia segura, quando indicada, e traz diversos benefícios para a recuperação funcional do paciente. Os benefícios da mobilização precoce na UTI vão além de colocar o paciente para se movimentar.

Essa abordagem ajuda a prevenir complicações causadas pelo imobilismo prolongado, acelera a recuperação física e favorece um retorno mais rápido às atividades do dia a dia.

O que acontece com o corpo durante a internação na UTI?

Pacientes internados na UTI geralmente passaram por uma condição grave, como infecções, cirurgias complexas, traumas ou doenças que comprometeram as funções vitais.

Nessas situações, é comum que necessitem de ventilação mecânica, sedação, medicamentos vasoativos, diálise e outros recursos fundamentais para estabilizar seu quadro clínico.

Embora essas intervenções sejam essenciais para preservar a vida, elas também favorecem um período prolongado de restrição ao leito. Como consequência, o organismo sofre alterações importantes em poucos dias:

  • Perda rápida de massa muscular, reduzindo força, resistência física e a capacidade de realizar movimentos simples;
  • rigidez articular, dores e presença de edema
  • diminuição da capacidade cardiorrespiratória;
  • dificuldade para manter posturas como sentar ou permanecer em pé.

O que é a mobilização precoce na UTI?

A mobilização precoce consiste em iniciar exercícios e mudanças graduais de posição assim que o paciente apresenta condições clínicas seguras para isso.

Fase inicial (maior instabilidade) — os cuidados se concentram na prevenção das complicações relacionadas ao imobilismo: mudanças de decúbito, posicionamento adequado, preservação da amplitude de movimento das articulações, manutenção da flexibilidade e prevenção de lesões por pressão.

Progressão clínica — à medida que o quadro evolui, o paciente pode passar a sentar-se no leito, permanecer na poltrona, ficar em pé, realizar exercícios ativos e, posteriormente, iniciar o treino de marcha, sempre respeitando sua condição clínica e os protocolos institucionais.

Quais são os benefícios da mobilização precoce na UTI?

Ensaios clínicos randomizados, como o de Schweickert e colaboradores (The Lancet, 2009)¹, demonstraram que a mobilização precoce durante a ventilação mecânica é segura e está associada a melhores desfechos funcionais na alta hospitalar e a menor duração do delirium. Entre os principais benefícios descritos estão:

  • preservação da força e da massa muscular;
  • redução do tempo em ventilação mecânica;
  • menor incidência de delirium;
  • prevenção de complicações decorrentes do imobilismo prolongado;
  • recuperação funcional mais rápida;
  • redução do tempo de internação hospitalar;
  • maior independência após a alta.

Além disso, a mobilização precoce pode contribuir para diminuir o impacto da Síndrome Pós-Terapia Intensiva (PICS), condição que reúne alterações físicas, cognitivas e psicológicas capazes de persistir por meses ou até anos após a alta hospitalar.

A mobilização precoce na UTI é segura?

Sim, desde que seja realizada no momento adequado e por uma equipe multiprofissional treinada. Antes de cada intervenção, são avaliados parâmetros clínicos, respiratórios, neurológicos e hemodinâmicos para garantir que o paciente possa ser mobilizado com segurança.

O tratamento é sempre individualizado e evolui conforme a resposta clínica de cada pessoa. Sempre que possível, o paciente é incentivado a participar ativamente das atividades propostas, pois o envolvimento ativo favorece uma recuperação funcional mais eficiente.

Estudos mais recentes, como o ensaio TEAM (New England Journal of Medicine, 2022)², não encontraram ganho em dias vivo e fora do hospital com o aumento da intensidade da mobilização e registraram mais eventos adversos no grupo intervenção.

Esse resultado não indica que a fisioterapia precoce deva ser limitada: reforça a importância da indicação individualizada, da avaliação prévia de segurança e da dose adequada de mobilização para cada paciente.

A recuperação começa ainda na UTI

Durante muito tempo, acreditava-se que o repouso absoluto era a melhor estratégia para pacientes gravemente enfermos. Hoje sabemos que, quando existe estabilidade clínica, o movimento faz parte do tratamento.

A mobilização precoce representa uma mudança importante na assistência ao paciente crítico, pois busca preservar não apenas a vida, mas também a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida após a alta hospitalar.

Mobilizar cedo é investir na recuperação. A recuperação não começa quando a internação termina, mas desde o momento em que o paciente apresenta condições clínicas para iniciar a mobilização de forma segura.

Cada mudança de posição, cada vez que o paciente se senta, fica em pé ou dá seus primeiros passos representa um avanço no processo de reabilitação. Quando iniciada no momento certo e conduzida por uma equipe multiprofissional capacitada, a mobilização
precoce reduz complicações, acelera a recuperação funcional e aumenta as chances do paciente retomar sua independência e suas atividades com mais qualidade de vida.

Mobilização precoce na UTI em Recife e Salvador

Na Florence, Hospital de Transição em Recife (PE) e Salvador (BA), a reabilitação do paciente crítico é conduzida por equipe multiprofissional, com avaliação diária de elegibilidade para mobilização e continuidade do plano funcional após a alta da
UTI. Saiba mais.

Referências
  1. Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS, Nigos C, Pawlik AJ, Esbrook CL, et al. Early physical and occupational therapy in mechanically ventilated,
    critically ill patients: a randomised controlled trial. Lancet. 2009;373(9678):1874-82. doi:10.1016/S0140-6736(09)60658-9. Disponível em:
    pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19446324
  2. TEAM Study Investigators and the ANZICS Clinical Trials Group. Early active mobilization during mechanical ventilation in the ICU. N Engl J Med.
    2022;387(19):1747-58. doi:10.1056/NEJMoa2209083. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36286256

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