Modelo de cuidado da Florence é apresentado em Congresso Latinoamericano de Cuidados Paliativos
Profissionais da instituição apresentaram reflexões sobre cuidado não médico-centrado e linhas integradas de transição em congresso de cuidados paliativos que reuniu especialistas de vários países

Mais de 2 mil profissionais de saúde de toda a América Latina se reuniram em São Paulo, entre 11 e 14 de março, para discutir o futuro dos cuidados paliativos na região.
No XII Congresso Latinoamericano de Cuidados Paliativos, realizado em conjunto com o XI Congresso Brasileiro, a Florence levou sua experiência em transição de cuidados e formação interprofissional, contribuindo para o tema central do encontro: “Tecendo laços de união nos cuidados paliativos para a América Latina: a importância do trabalho em rede”.
“Tecer redes é justamente sair de uma lógica isolada (…) é construir conexão real entre as pessoas, entre os profissionais, entre a família e, obviamente, com o centro do nosso cuidado, que é o paciente”, contextualiza Dr. Wagner Reis, Coordenador Médico da Unidade da Florence em Recife.
Presente no evento, o coordenador apresentou o estudo “Aprender Medicina em um Hospice interprofissional não médico-centrado”, compartilhando experiências e achados qualitativos sobre a formação de médicos assistenciais nesse modelo de cuidado.

Além dele, Lucas Freire de Andrade, fundador e VP de Estratégias e Novos Negócios da Florence, também esteve no congresso, ministrando a mesa “Modelos e Políticas de Transição de Cuidados em Cuidados Paliativos – Continuidade, Coordenação e Segurança Assistencial”, onde apresentou “Linhas integradas de transição de Cuidados e Cuidados Paliativos” com foco na experiência da Florence.
“A transição de cuidados bem estruturada garante que o paciente e a família não se sintam perdidos em nenhum momento da jornada. Quando há continuidade e coordenação entre as equipes, o cuidado acontece sem rupturas, e isso traz segurança, reduz ansiedade e melhora os desfechos clínicos”, destacou Dr. Lucas Andrade.
Para ele, compartilhar a experiência da Florence com profissionais de toda a América Latina é fundamental. “Quando trocamos conhecimento sobre modelos que funcionam, aceleramos o desenvolvimento dos cuidados paliativos na região. O que aprendemos pode inspirar outras instituições, e o que eles compartilham também nos ajuda a evoluir.”
Cuidado interprofissional: o modelo Florence na prática
Essa troca de experiências também incluiu reflexões sobre o que torna o modelo Florence singular: o cuidado não médico-centrado. Na prática, um hospice não médico-centrado significa reorganizar o cuidado em torno das necessidades do paciente e da família, não da figura do médico.
“O médico tem um papel muito importante e uma responsabilidade intransferível, mas ele não é o centro do processo. A escuta, o planejamento, as decisões são compartilhadas entre todos os profissionais. Cada um traz seu olhar, sua competência, para as coisas que vão aparecendo”, destaca Dr. Wagner.
Essa construção conjunta dos planos de cuidado valoriza a contribuição dedicada de cada profissional. “É o reconhecimento de que a equipe que cuida bem precisa desse caminho interdisciplinar, sem ser de forma rígida, sem ser hierarquizada.”
Formação e capacitação: estratégias para fortalecer a rede
Talita Magalhães, Enfermeira de Ensino e Capacitação da Unidade de Salvador, participou do encontro exibindo o pôster “Capacitação de profissionais de saúde para cuidados paliativos: desafios e estratégias“, que trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados na formação de equipes e as estratégias desenvolvidas pela Florence para qualificar profissionais na área.
Nesse contexto, Dr. Wagner reforça que a experiência da Florence no trabalho em rede se materializa em diferentes frentes e pode somar ao movimento latino-americano de cuidados paliativos por oferecer um modelo vivo de cuidado articulado.
“A gente precisa ser integrado na continuidade do cuidado da pessoa, desde quando ela recebe o diagnóstico até a transição de cuidados, a reabilitação, o cuidado hospice e, obviamente, o suporte à família. Tudo isso baseado numa comunicação estruturada e na educação permanente”, explica o médico.
Sobre o Congresso
O XII Congresso Latinoamericano de Cuidados Paliativos reuniu profissionais de toda a América Latina para discutir práticas, pesquisas e políticas públicas voltadas ao cuidado integral de pacientes com doenças que ameaçam a vida. O tema de 2026 reforçou a importância da colaboração regional e do fortalecimento de redes de cuidado.