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Quando a reabilitação intensiva é indicada?

A reabilitação intensiva é uma abordagem estruturada, multidisciplinar, coordenada e de alta frequência e intensidade, com o objetivo de maximizar as chances de recuperação funcional, independência e qualidade de vida de pacientes que sofreram perdas funcionais agudas ou subagudas em decorrência de lesões ou doenças graves, intervenções cirúrgicas complexas ou períodos prolongados de imobilização.

A literatura internacional, especialmente o órgão americano CMS (Center for Medicare & Medicaid Services) e diretrizes especializadas em AVC e trauma, define a reabilitação intensiva com base em métricas objetivas de tempo de terapia.

Dessa forma, a reabilitação intensiva é caracterizada pelo engajamento ativo do paciente em terapias de reabilitação por um mínimo de 15 horas por semana (ao menos 3 horas por dia, em pelo menos 5 dias por semana). As terapias costumam ser de alta intensidade, com repetição direcionada para tarefas específicas e foco na funcionalidade, por meio da redução da incapacidade e da otimização do desempenho nas atividades da vida diária.

Adicionalmente, essas terapias frequentemente envolvem pelo menos duas modalidades terapêuticas, como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, uso de próteses e órteses ou reabilitação cognitiva, sempre integradas dentro da mesma estratégia terapêutica.

A interdisciplinaridade coordenada é um dos principais fatores para o sucesso da reabilitação intensiva.

Quando a reabilitação intensiva é recomendada?

A reabilitação intensiva ocorre em ambientes de cuidados pós-agudos, como hospitais de transição, que permitem alta intensidade terapêutica e coordenação multiprofissional. Nesses serviços, o plano terapêutico é compartilhado entre as equipes, e a evolução funcional do paciente é monitorada por meio de métricas objetivas de reabilitação.

Recomenda-se que a reabilitação intensiva seja iniciada precocemente, ainda no período subagudo, após estabilização clínica. Estudos apontam que o início precoce está associado a melhores desfechos funcionais.

Em pacientes com AVC, por exemplo, diretrizes recomendam o início da reabilitação entre 4 e 7 dias após o evento agudo.

Quais condições clínicas se beneficiam?

Diversas condições clínicas podem se beneficiar da reabilitação intensiva. Entre elas, destacam-se três grandes grupos de indicação:

  1. Pacientes com indicação de neurorreabilitação. Como pacientes após acidente vascular cerebral (AVC), trauma cranioencefálico (TCE), outras lesões cerebrais agudas (meningoencefalite e encefalopatia pós-parada cardíaca), lesão medular aguda, além de polineuropatias ou doenças neurológicas progressivas (Síndrome de Guillain-Barré, Esclerose Múltipla, Esclerose Lateral Amiotrófica e Doença de Parkinson).
  2. Pacientes com indicação de reabilitação ortopédica avançada. Como idosos após fratura por fragilidade (quadril ou vértebras), pacientes em pós-operatório de cirurgias complexas (como revisões ou pós-artroplastia total de quadril ou joelho bilaterais ou com comorbidades), amputações de membros e recuperação de fraturas complexas em vítimas de acidentes grave (politraumatizados) ou queimaduras complexas.
  3. Pacientes com síndrome pós cuidados intensivos. Seja após uma doença aguda grave (como sepse ou cirurgias complexas) ou descompensação de doença crônica de base (como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva crônica), indivíduos que cursaram com fraqueza muscular ou perda funcional relevante após um período de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) podem se beneficiar de reabilitação intensiva. O foco da reabilitação inclui o manejo de fraqueza muscular adquirida na UTI, desmame do ventilador mecânico e de outros dispositivos (traqueostomia, sondas de nutrição enteral), reabilitação pulmonar e abordagem das disfunções cognitivo-comportamentais.

Nesses casos, a reabilitação intensiva pode trazer benefícios importantes. O foco terapêutico inclui o manejo da fraqueza muscular adquirida na UTI, o desmame do ventilador mecânico e de outros dispositivos (como traqueostomia e sondas de nutrição enteral), além da reabilitação pulmonar e da abordagem de disfunções cognitivo-comportamentais.

Dessa forma, pacientes com condições neurológicas, ortopédicas ou em recuperação pós-UTI que apresentam perda funcional importante podem se beneficiar da reabilitação intensiva, especialmente quando realizada em regime de internação em hospitais de transição.

Equipes assistenciais devem avaliar rotineiramente pacientes em situações agudas ou com descompensação de doenças crônicas que apresentem impacto funcional significativo, para identificar precocemente a indicação de reabilitação intensiva.

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