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Família tem papel importante nos Cuidados Paliativos

Cuidados Paliativos
Recife
Salvador
Transição de Cuidados

Envolver os familiares no processo de enfrentamento de uma doença que ameaça a continuidade da vida ajuda a aliviar a carga emocional do paciente.

Hospitais de Transição oferecem um ambiente de cuidado que respeita a dignidade e os desejos dos pacientes, promovendo um fim de vida mais humanizado.

O Cuidado Paliativo é uma abordagem especializada que visa a melhoria da  qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameacem a continuidade da vida. O foco dos Cuidados Paliativos se mantém no alívio da dor e de outros sintomas físicos, como também no suporte emocional, espiritual e social de todos os envolvidos.

Segundo dados divulgados pela The Worldwide Hospice Palliative Care Alliance (WHPCA), 57 milhões de pessoas precisam de cuidados paliativos anualmente. Estima-se que o número de brasileiros que irão demandar de Cuidados Paliativos deve ultrapassar a marca de 1 milhão em 2040.  Esses dados são de um estudo divulgado na plataforma Scielo intitulado “Palliative care in Brasil: present and future”.

Enfrentar uma doença grave pode ser uma experiência assustadora e solitária para o paciente. A família oferece conforto, amor e segurança, criando um ambiente de apoio que pode reduzir a ansiedade e a depressão.

De acordo com Fernanda França, que integra o Time de psicologia da Clínica Florence, Unidade Recife,  saber que a família está envolvida e disposta a ajudar pode aliviar a carga emocional do paciente.

“A presença de entes queridos proporciona uma sensação de segurança e tranquilidade, permitindo que o paciente se concentre em seu bem-estar sem preocupações excessivas com o impacto da doença sobre os outros”, comentou Fernanda.

A psicóloga também ressaltou que a família ajuda a garantir que os desejos e preferências do paciente sejam respeitados, participando ativamente das discussões com a equipe médica sobre opções de tratamento e planos de cuidado.

“Essa colaboração assegura que as decisões tomadas reflitam os valores e as necessidades do paciente, promovendo uma abordagem mais personalizada e humanizada”, completou Fernanda.

Os familiares também desempenham papel ativo no cuidado diário do paciente, auxiliando na administração de medicamentos, na higiene pessoal e até mesmo na mobilidade. 

Política Nacional de Cuidados Paliativos

Em 2024, o Brasil deu um passo significativo na área de saúde com o lançamento da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), uma iniciativa que visa estruturar e expandir o acesso a cuidados paliativos em todo o território nacional.

Esta política, articulada pelo Ministério da Saúde, foca na capacitação de profissionais, criação de unidades especializadas e integração dos Cuidados Paliativos ao Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os níveis de atenção. Com diretrizes mais claras, a nova política busca proporcionar uma abordagem humanizada e centrada no paciente, garantindo alívio do sofrimento e melhoria da qualidade de vida para pacientes com doenças crônicas, graves e terminais, além de apoio contínuo às suas famílias.

O Ministério da Saúde destaca que, aproximadamente, 625 mil pessoas precisam de Cuidados Paliativos no país. O órgão ainda ressalta que “antes, com atendimento limitado, escassez de profissionais com formação paliativa e barreiras culturais, os serviços estavam concentrados nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com consequente ausência nas regiões Norte e Nordeste. Na Bahia, haverá 81 equipes que atuarão nos Cuidados Paliativos”.

Apesar da PNCP ter sido instituída recentemente, os hospitais de transição já oferecem uma assistência humanizada, oferecendo um ambiente de cuidado que respeita a dignidade e os desejos dos pacientes, promovendo um fim de vida mais humanizado.

Segundo a Dra. Yanne Amorim (CRM- BA 14304), pneumologista, especialista em Cuidados Paliativos e coordenadora médica da Clínica Florence em Salvador, o paciente que recebe assistência paliativa é visto pela equipe multidisciplinar como protagonista do seu cuidado, onde é valorizado tudo aquilo que faz sentido para ele e lhe proporciona bem-estar.

“O foco deixa de ser na doença, reforçamos a vida do paciente, quem ele é, o que gosta, o que lhe traz bem-estar. Dessa forma, reafirmamos a vida sem travar uma luta contra a morte, afinal a morte é uma etapa natural da vida”, acrescenta a médica.

Atualmente, a Clínica Florence é o único hospital de transição do Norte e Nordeste especializado em Cuidados Paliativos. A instituição acolhe de forma individualizada, levando em consideração as crenças e preferências dos seus pacientes e familiares.

“Nosso Time interdisciplinar apoia a família durante todo processo. Promovemos uma abordagem mais humana e compassiva, centrada no bem-estar do paciente e na dignidade em todas as fases da vida”, pontuou Dra. Michele Bautista ( CRM-PE 19645), Gerente Médica da Clínica Florence, Unidade Recife.

Para a Sra. Valéria Pacheco, que esteve na Clínica Florence acompanhando o esposo internado para oferta de Cuidados Paliativos, na Unidade Recife, a assistência recebida pelo Time de Cuidadores foi fundamental para que ela enfrentasse todo o processo.  

“Sou muito grata a toda a equipe da Florence. Aqui encontrei apoio, ao ponto de me sentir em casa. As pessoas não estavam apenas preocupadas com o meu esposo, eles me acolheram, me deram todo tipo de suporte. Meu sentimento é de total gratidão”, concluiu Valéria.

O envolvimento nos Cuidados Paliativos também traz benefícios significativos para a própria família. Enfrentar juntos os desafios e as dificuldades pode ajudar a fortalecer os relacionamentos e aliviar o sentimento de impotência.

Em 2022, a Sra Delzemir Reina acompanhou de perto o processo de finitude do filho, durante a internação na Clínica Florence, Unidade Salvador. Ela destacou o empenho do Time Florence para oferecer um serviço personalizado nos mínimos detalhes, proporcionando alegria ao paciente em Cuidados Paliativos.

“Aqui na Florence foram muitas lembranças alegres que o meu filho teve, que eu tive. Ele gostava da comida, da forma que era tratado. E aqui (na Florence) meu filho, apesar de tudo, ele foi feliz. Ele sorria, ele brincava. Isso é de extrema importância para o paciente”, destacou Sra. Delzemir.

A Sra. Delzemir Reina relembra com carinho os momentos vivenciado na Clínica Florence ao lado do filho.

Tags: Transição de Cuidados, Hospital de Transição, Cuidados Paliativos, Abordagem Paliativa, Equipe Interdisciplinar, Política Nacional de Cuidados Paliativos